Aprender a surfar em Marrocos

O que acontece mesmo numa semana de iniciação e até onde chegas no fim

Sem experiência necessária · pranchas softtop · grupos pequenos · fato incluído

Quase toda a gente se põe de pé no primeiro dia. O que separa uma boa semana de uma frustrante é o que acontece depois.

Porque esta costa perdoa aos principiantes

Três coisas tornam o troço a norte de Agadir invulgarmente simpático para quem nunca surfou.

A ondulação chega cansada. As tempestades do Atlântico Norte geram energia a milhares de quilómetros. Quando chega a esta latitude já se organizou em linhas longas e regulares em vez de vaga de vento — ou seja, ondas que rebentam no mesmo sítio, da mesma forma, repetidamente. Quando se está a aprender, a previsibilidade é tudo.

A costa está virada para o lado certo. A linha de costa corre grosso modo de nordeste para sudoeste, por isso as pontas dobram a ondulação de noroeste em longas direitas. Entre essas pontas há baías de areia que recebem a energia que sobra — mais pequenas, mais suaves, com fundo de areia. É nessas baías que passas os primeiros três dias.

As manhãs costumam estar limpas. A terra arrefece de noite, por isso o vento ao amanhecer é normalmente fraco ou terral e vira a maral ao longo da tarde. É por isso que as aulas começam cedo, e é por isso que a tua segunda sessão do dia às vezes está mais picada do que a primeira.

A que velocidade vais realmente progredir

Medido em sessões e não em dias, porque um «dia» num camp são duas horas com instrutor e noutro são vinte minutos de instrução e muito tempo à espera.

SessõesO que vais estar a fazerO que te está a travar
1–2De pé na espuma, parte do tempo, numa prancha macia grandeO tempo do levantar e olhar para os pés
3–4De pé na maioria das tentativas, a seguir direito para a praiaMedo de enterrar o bico, o que te faz recuar o peso
5–7Virar a prancha para percorrer a onda em vez de ir para a praiaCondição para remar. Agora o teu limite são os ombros
8–12Apanhar ondas por rebentar com um empurrão e depois sem eleLer a onda — saber qual rebenta onde
12–20Escolher as tuas ondas num pico pequenoPosicionamento, e a necessidade honesta de uma prancha mais pequena

Um camp de uma semana com duas sessões por dia coloca a maioria das pessoas na faixa 8–12. Isso é surfar a sério, em ondas pequenas, com uma prancha macia: um objetivo realista e não um número de vendas.

Um dia na água

Como é, hora a hora

HoraO que acontece
08:00Pequeno-almoço no terraço. Vê-se a previsão e anuncia-se o spot do dia
09:30Carregar as pranchas e conduzir 10–40 minutos até à rebentação que serve à maré
10:00Teoria na areia e depois 90 minutos com instrutor na água
12:30Almoço na praia ou de volta ao alojamento
14:30Segunda sessão — surf livre, com o instrutor a observar em vez de ensinar
17:00Regresso para duche, chá e a atividade da tarde
19:30Jantar em conjunto e depois análise em vídeo das imagens da manhã

O que te acelera e o que te trava

Acelera-te

  • Rever o vídeo. Dez minutos a ver-te corrigem o que dez sessões de explicações não corrigem
  • Uma rotina de levantar em seco. Cinco minutos todas as manhãs. Pouco glamoroso, extremamente eficaz
  • Ficar na prancha macia. O volume apanha ondas, e apanhar ondas é prática
  • Surfar com as pernas cansadas, não com os ombros. Descansa os músculos de remar, não os de estar de pé

Trava-te

  • Grupos com mais de oito. Estão a vigiar-te em vez de te ensinarem
  • A mesma baía todos os dias. Aprendes uma onda em vez de aprenderes a surfar
  • Surfar exausto. A partir do quarto dia uma boa sessão vale mais do que duas más
  • Ir demasiado para fora cedo demais. As repetições estão na zona de espuma

Antes de chegares

Quatro coisas que vale a pena saber

Tens de estar à vontade na água

Não precisas de nadar bem — estás numa prancha que flutua, com leash e um instrutor a poucos metros. Mas não ter pé não te deve dar pânico. Di-lo com honestidade ao reservares e um bom camp coloca-te em conformidade.

O mar está mais frio do que esperas

Cerca de 17–19 °C durante grande parte do ano. Uma corrente fria e o afloramento sazonal mantêm-no bem abaixo do que a latitude sugere. A maioria dos camps inclui fato e tem várias espessuras — o anúncio indica quais.

A queimadura solar é a lesão mais comum

Com larga margem, seguida dos cortes no recife. Leva protetor SPF 50, zinco para a cara e uma licra. Volta a aplicar depois de cada sessão, não só ao início do dia.

Os braços vão doer ao terceiro dia

Remar usa músculos que quase ninguém usa. Passa. O ioga, o hammam e uma tarde de descanso existem exatamente para isto e não são um luxo.

Ondas, preços e camps novos, uma vez por mês

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