A parte incómoda de uma viagem de surf a Marrocos é fazer a mala para três climas ao mesmo tempo: um oceano fresco, uma tarde quente e, se fores para o interior, uma noite fria.

Para a água
Dois fatos de banho, porque há sempre um ainda molhado. Um lycra contra o sol e o atrito da prancha. Protetor solar SPF 50 respeitador dos recifes e um stick de zinco para a cara, que é o que arde mesmo. Um chapéu de aba larga e chinelos.
Fatos, pranchas e leashes são fornecidos por qualquer camp sério. Levar a tua prancha raramente justifica a taxa da companhia aérea, a não ser que já surfes bem e sejas exigente com o teu material.
Para o interior e o deserto
Uma camada intermédia quente e um casaco a sério. O ar seco do deserto não retém calor, por isso uma tarde de 35 °C torna-se numa noite de 10 °C, e as noites de dezembro aproximam-se do zero. É a peça de que as pessoas mais se arrependem de ter deixado em casa, e ali não há onde comprar.
Calças compridas largas e mangas compridas, úteis contra o sol e apropriadas nas aldeias. Sapatos fechados para as gargantas e as subidas às dunas. Um lenço, que é genuinamente eficaz contra a areia levantada pelo vento e não apenas fotogénico.
Pequenas coisas de valor desproporcionado
Uma lanterna de cabeça. Sacos herméticos para telemóvel e câmara, porque a areia fina encontra todas as entradas. Uma powerbank, já que a eletricidade num acampamento do deserto é limitada e muitas vezes desligada à noite. Comprimidos para o enjoo nas passagens de montanha. Pastilhas de eletrólitos. Tampões para os ouvidos, tanto para quartos como para tendas partilhadas.
Deixar em casa
Um drone: as autorizações são restritas e o equipamento é regularmente retido na fronteira. Malas rígidas, que sobrevivem mal aos tejadilhos das carrinhas. Necessaires pesados. Tudo o que seja branco e a que tenhas apreço.
Fazer a mala consoante a duração da viagem
Para quatro noites na costa, a bagagem de mão chega mesmo. Dois fatos de banho, três t-shirts, uma camada quente, umas calças compridas, chinelos e um par de sapatos fechados. Os campos lavam roupa e tudo seca numa tarde.
Para uma semana com etapa no deserto, acrescenta o casaco quente, uma segunda camada quente, um lenço e uma lanterna frontal. Mais nada muda — o deserto pede calor, não volume.
Para duas semanas ou mais, acrescenta um segundo par de sapatos fechados, porque um par permanentemente cheio de areia torna-se desagradável, e um saco pequeno para roupa suja, para que o molhado e o seco deixem de se misturar na bagagem.
O que o campo já tem
Pranchas de vários volumes, fatos de várias espessuras, leashes e normalmente cera e um kit de reparação. Toalhas para o quarto, embora nem sempre toalhas de praia — vale a pena perguntar. Secadores raramente. Adaptadores às vezes.
Marrocos usa tomadas europeias de dois pinos a 220 V, pelo que a maior parte da Europa não precisa de nada e quem vem do Reino Unido, dos EUA e da Austrália precisa de adaptador. Leva dois se carregares telemóvel e máquina fotográfica durante a noite.
O sol, que é o verdadeiro perigo
O que mais estraga uma viagem de surf não é uma queda, são uns ombros queimados ao segundo dia que tornam miseráveis os dias três a sete. O vento atlântico esconde o calor por completo, e a luz refletida na água duplica a tua exposição.
Leva FPS 50 em vez de 30, um stick de óxido de zinco para o nariz e as maçãs do rosto porque o creme comum sai ao fim de uma hora de remada, e uma licra com mangas. Volta a aplicar a meio de cada sessão e não só antes. Compra o pós-solar antes de partires; aqui custa mais e vais querê-lo ao segundo dia.
Roupa que funciona na água e na aldeia
Umas calças largas de linho ou algodão fazem tudo: secam depressa, vestem-se por cima do fato de banho, são confortáveis com 30 °C e são adequadas num souk e numa rua de aldeia, onde uns calções de surf não são.
Para as mulheres, uma camisa comprida e leve por cima do fato de banho cobre o caminho da carrinha até à água e depois a entrada num café, sem ter de mudar de roupa. É a peça mais útil de um guarda-roupa de surf marroquino.
Deixa em casa tudo o que seja branco. Entre areia, óleo de argão, tagine e o pó vermelho do interior, o branco dura uns três dias.
Uma lista completa a partir da qual trabalhar
Roupa: dois fatos de banho, licra, três t-shirts, uma de manga comprida, uma camada intermédia quente, um casaco se fores para o interior, calças compridas largas, calções, roupa interior e meias para os dias em que as uses, roupa de dormir, chinelos, sapatos fechados.
Água: FPS 50 amigo dos recifes, stick de zinco, chapéu de aba larga, óculos de sol com cordão, pós-solar, um roupão com capuz se vieres no inverno.
Interior: lenço ou chech, lanterna frontal, gorro quente para dezembro e janeiro, sapatos fechados de caminhada.
Saúde: qualquer medicação sujeita a receita na embalagem original, saquetas de reidratação, ibuprofeno, pensos e antisséptico para cortes de recife, gotas para os ouvidos, comprimidos para o enjoo.
Tecnologia: adaptador europeu de dois pinos, power bank, cabos de carregamento, tripé de telemóvel se te interessa o céu do deserto, sacos com fecho.
Documentos: passaporte, dados do seguro, uma cópia impressa da reserva e algum dinheiro em euros para trocar à chegada.
Só bagagem de cabina, e como consegui-lo
Uma semana nesta costa cabe com folga num saco de cabina de 40 litros, e fazê-lo elimina a maior fonte de stress da viagem — esperar no tapete depois de um voo atrasado, e a possibilidade de a tua mala ter ido para Casablanca.
O truque é que os campos lavam roupa e tudo seca em horas. Faz a mala para três dias e lava duas vezes. Veste as peças volumosas — casaco e sapatos fechados — no avião.
Passa os líquidos para frascos pequenos. O protetor solar é a única coisa que vale a pena comprar em tamanho grande no local em vez de lutar com ele na segurança, ainda que aqui custe mais do que em casa.
O que comprar lá em vez de levar
Um lenço. Há-os em todo o lado, custam uns euros, são melhores do que qualquer um que levasses, e comprar um são vinte minutos agradáveis num souk.
Óleo de argão e amlou, de uma cooperativa e não de uma loja de aeroporto.
Chinelos de casa ou babouches, com que qualquer chão de campo fica mais agradável.
Não compres: protetor solar, mais caro aqui do que em casa; nada de eletrónico; e medicação sujeita a receita que devias ter trazido.
Um último olhar antes de fechares a mala
Três perguntas apanham quase todos os erros de bagagem. Levas alguma coisa suficientemente quente para uma noite no deserto, se fores para o interior? Levas calçado com que consigas andar vinte minutos sobre rocha? E levas mais proteção solar do que julgas precisar?
Essas três explicam quase todos os «quem me dera ter trazido» que se ouvem no fim de uma viagem. O casaco em particular — as pessoas acham absurdo fazer mala quente para o Sara e depois passam uma noite gratas por ele.
Em termos de peso, sê implacável. Os campos lavam roupa, tudo seca em horas, e ninguém nesta costa está a avaliar a tua rotação de roupa. Uma semana cabe na bagagem de cabina e ainda sobra espaço.
E deixa espaço. Vais voltar com óleo de argão, um lenço, especiarias, possivelmente um tapete que não tinhas planeado, e uma quantidade de areia distribuída por tudo o que possuis.
Fazer a mala para a estação em que realmente viajas
De dezembro a fevereiro: acrescenta um casaco a sério, um gorro quente e uma camada intermédia extra. As noites do deserto aproximam-se da geada e a costa é fresca depois de escurecer. O teu fato será um 3/2 e um roupão com capuz é a melhor coisa na tua mala.
De março a maio: a mala mais fácil do ano. Um casaco leve cobre as noites, a água continua a exigir fato completo, e as poças do vale estão no máximo, portanto leva fato de banho com que consigas caminhar.
De junho a setembro: a mala mais leve, shorty em vez de fato completo, e bastante mais proteção solar do que em qualquer outra estação. Se fores para o interior nestes meses, acrescenta eletrólitos e um chapéu de aba larga, e conta com preferir mangas compridas e largas a braços ao ar.
Outubro e novembro: transição. Leva um shorty e conta que o campo tenha um 3/2 no fim de novembro, além de uma camada quente para noites de deserto já frescas.
A constante nas quatro é a mesma: dois fatos de banho, sapatos fechados, mais protetor solar do que parece razoável, e algo com mangas.
